segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Figuras-fundo: o que isso tem a ver com os nossos problemas emocionais?



Ao olhar para estas duas imagens, o que você vê? Uma moça ou uma velha? Uma taça ou duas faces? Estas imagens retratam as chamadas figuras-fundo, um dos princípios da Teoria da Gestalt, que estudou a percepção em meados da década de 1920. Aquilo que se sobressai para você, é a figura; todo o resto é o fundo. Então, ao perceber a moça, ela se torna a figura, e a velha se torna o fundo, e o inverso também é verdadeiro. O mesmo acontece com a imagem das faces-taça e com todas as outras imagens de figura-fundo que existem.
Alguns anos depois, Frederick Perls, ao desenvolver sua teoria psicológica, utilizou-se deste conceito figura-fundo para fundamentar um de seus grandes postulados. Ele entendeu que a figura-fundo pode ser também fisiológica ou psicológica e aqui ele introduz sua contribuição de que a figura é a necessidade dominante do organismo. Um exemplo de figura-fundo fisiológica: estou lendo um livro e de repente sinto fome – a fome é a figura, ou seja, a necessidade fisiológica dominante, que se sobressai sobre um fundo, que no caso é a leitura do livro.
Agora vamos a um exemplo de figura-fundo sob o ponto de vista psicológico. Um amigo me fala coisas difíceis sobre meu comportamento e naquele momento da conversa não consigo falar nem fazer nada, mas após a conversa fico com uma sensação muito ruim; sinto que preciso falar para ele o que penso e sinto. Isto que sinto é a minha necessidade dominante, ou seja, a minha figura, que se destacou de um fundo, que pode ser a minha amizade com esta pessoa, a minha história de vida, etc. Se volto a conversar com o amigo e falo dos meus sentimentos, eu satisfaço a minha necessidade; se não converso por medo, por vergonha, ou seja lá o que for, eu fico insatisfeito, angustiado, magoado.
Os problemas emocionais começam a aparecer quando não conseguimos satisfazer as nossas necessidades; muitas vezes, nem sabemos quais são elas. Seguindo o exemplo acima, se eu sempre me calo quando deveria de expor meus sentimentos ou pensamentos, vou me tornando uma pessoa insatisfeita, vou me enrijecendo e a reagindo sempre da mesma forma, independente da situação ou da pessoa. Assim, instala-se o sofrimento psíquico e a pessoa muitas vezes precisa iniciar uma psicoterapia para poder se conhecer, conhecer suas necessidades e aprender a satisfazê-las. 
É bom esclarecer que isso tudo não é tão simples quanto parece, porque há sobreposição de figuras, ou seja, são várias necessidades não satisfeitas que incomodam e causam sofrimento, e porque as figuras (ou necessidades) são por vezes bastante complexas por envolver uma série de questões, como sentimentos, crenças, história de vida, entre outras.

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